Alguns alimentos, inofensivos a olho nu, podem provocar alergias respiratórias, gastrointestinais e na pele tanto em crianças, quanto em adultos. Estatísticas revelam que entre 6% a 8% do público infantil apresenta reações alérgicas. Já de 2% a 3% das pessoas têm alergias alimentares na fase adulta. De acordo com a Associação Brasileira de Alergia Asma e Imunologia (ASBAI), os dados consideram apenas a população de alérgicos. Na última década, ocorreu um aumento na prevalência de alergia alimentar sendo o fato atribuído às mudanças no estilo de vida das pessoas com maior acesso a alimentos que contém proteínas alergênicas.
Segundo a ASBAI , os principais alimentos que causam alergias são: leite de vaca, ovos, sementes (amendoim, amêndoas, castanhas e nozes), soja, trigo, peixes, camarão e outros frutos do mar. Alguns alimentos:banana,abacate,kiwi e algumas frutas e sementes podem dar reação cruzada nos indivíduos que têm alergia a látex.
Os sintomas mais frequentes são: coceiras na pele, dermatite atópica e urticárias; no aparelho respiratório: crise asmática, coriza, congestão nasal tosse e rinite; no sistema gastrointestinal: inchaço nos lábios, língua ou palato, cólicas, diarreia, vômitos, sangramentos e refluxo.
Os especialistas alertam que a prevenção é o diagnóstico precoce da alergia e a retirada do alimento da dieta: “A ingestão contínua do que causou uma reação alérgica aumenta cada vez mais o problema, a ponto das reações tornarem-se graves e haver até risco de morte”, “Como prevenção, também são retirados os alergênicos da dieta da mãe que estiver amamentando uma criança portadora de alergia alimentar, mas esta recomendação tem fraca comprovação científica, assim como o uso de probioticos ou prebióticos como preventivos de alergia alimentar têm esta fraca comprovação”.
É também raro que aditivos alimentares provoquem urticárias e apenas reação aos sulfitos têm comprovação científica e é uma reação bastante rara necessitando ser documentada.
Avaliação laboratorial de alimentos por IgG ou análise de cabelo não têm comprovação científica e não devem ser executados.(POSITION PAPER DA ACADEMIA EUROPEIA DE ALERGIA E IMUNOLOGIA)
Um dos pontos mais relevantes para a prevenção das alergias alimentares é ensinar aos pacientes a ler os rótulos dos alimentos para que não entrem em contato, inadvertidamente, com nenhum agente alergênico. “A ASBAI dá os seus primeiros passos para mobilizar o tema junto às agências regulatórias, para que a indústria passe a informar claramente todos os componentes em suas embalagens.
O tratamento, além da exclusão dos alimentos causadores da alergia, consiste no uso de medicação quando houver sintomas do uso inadvertido de algum alimento. “Há pessoas que correm o risco de ter reações graves ao induzir a tolerância ao componente alérgico. O procedimento é perigoso e só deve ser feito por pessoas capacitadas e experientes. A alergia pode vir a ser fatal se chegar a uma reação anafilática, com um choque imediato”.O procedimento só deve ser realizado em centros especializados para indução desta tolerância.
O choque anafilático é causa de algumas mortes e ele pode ocorrer por veneno de picada de abelhas, marimbondos e formigas; reação a alguns anestésicos; reação a alguns medicamentos; e raramente a alimentos como é o caso do camarão.
É mito a afirmação de que pacientes com alergia a frutos do mar não devem ser submetidos a substâncias para contraste radioativo, não havendo nenhuma evidência científica para esta afirmação.
O diagnóstico adequado das doenças alérgicas depende do bom conhecimento clínico do especialista em alergia e imunologia que assiste o paciente, de uma adequada investigação da causa através de testes cutâneos de diagnóstico e investigação laboratorial por exames com anticorpos monoclonais específicos para os alérgenos suspeitos de provocar a reação alérgica.
Sem um bom diagnóstico não haverá um bom tratamento. Não vivemos mais no tempo do “achômetro”, a medicina tem que ser por evidência científica e não se pode mais tolerar diagnósticos baseados em eu acho que, eu penso, eu tenho a certeza, é bem provável, deve ser, é um inicio,,,etc etc etc.
CONSENSO BRASILEIRO SOBRE ALERGIA ALIMENTAR 2007 Rev. Bras.Alerg.Imunopatol 2008; 31:No. 2
Food Allergy: A practice parameter updated-2014- JACI 134:5;1016-1025
Allergy 2008: 63: 793–796 Testing for IgG4 against foods is not recommended as a diagnostic
tool: EAACI Task Force Report
Consultoria de Dr Ataualpa P. Reis, médico alergista e imunologista e do Conselho Científico da ASBAI MG
“Asma e alergias: é preciso cuidar do ambiente”
As alergias atingem de 30 a 35% dos brasileiros e resultam de uma combinação da bagagem genética individual, que torna o organismo de algumas pessoas mais sensível, com fatores agressivos presentes no ambiente, chamados alérgenos. Os mais comuns estão dentro do próprio domicílio. São os ácaros encontrados na poeira, restos e fezes de baratas, mofo, pêlos de animais domésticos, fumaça de cigarro, pólen e esporos de fungos, além de certos alimentos, medicamentos e produtos químicos. Os alérgenos podem causar danos à saúde provocando alergias e doenças como a asma.
Segundo Reis, quando uma pessoa alérgica entra em contato com algum desses agentes alérgenos, seu sistema de defesa reage de forma exagerada, produzindo os sintomas das alergias, entre eles, os das alergias respiratórias, que incluem espirros constantes, coriza, sensação de nariz entupido ou de “cabeça pesada” e coceira nos olhos, no nariz, no céu da boca e na garganta. “Já nas crises de asma, os pacientes têm ‘chiado’, tosse, falta de ar, sensação de ‘aperto’ no peito e cansaço. O incômodo é maior sobretudo à noite ou ao acordar e tende a piorar com esforço físico”, explica.
A asma brônquica é uma das doenças alérgicas mais preocupantes já que atinge uma de cada quatro crianças na faixa dos seis aos 14 anos, conforme um estudo internacional concluído em 1998 e confirmado em 2003 e 2006 com publicação internacional na revista científica Lancet. Os casos mais graves geram 370 mil internações por ano no País e gastos da ordem de R$ 76 milhões de dólares para o Sistema Único de Saúde (SUS), conforme dados do Datasus-2003. Sem contar que a mortalidade por asma dobrou nos últimos 30 anos e alcança hoje seis mortes notificadas por dia, revela o Datasus.
O alergologista orienta que uma das principais formas de deter as crises é fazer o tratamento preventivo medicamentoso, sob orientação médica. “Outro cuidado fundamental é manter os ambientes limpos, livres de ácaros e poeira”. Ele sugere que a pessoa encape colchões e travesseiros com tecidos impermeáveis; use pano úmido e produtos que eliminem o mofo no chão e nas paredes; remova tapetes, cortinas e bichinhos de pelúcia; deixe os ambientes ventilados e iluminados pelo sol. Medidas como eliminar o cigarro dos ambientes fechados e fumar longe das crianças também são importantes.
Para prevenir as alergias respiratórias e a asma
· Manter os ambientes secos e abertos, permitindo a circulação do ar e a entrada dos raios de sol, capazes de destruir os ácaros;
· Incentivar as crianças a brincar ao ar livre, agasalhando-as no tempo de frio;
· Encapar colchões, travesseiros e almofadas com plástico ou tecidos impermeáveis;
· Trocar a roupa de cama pelo menos uma vez por semana, lavando-a em água quente;
· Usar cobertores antialérgicos, lavando-os regularmente e deixando ao sol para secar;
· Evitar plantas, animais de estimação, bichinhos de pelúcia, tapetes ou carpetes, livros e brinquedos acumulados no quarto das crianças;
· Retirar as cortinas ou usar aquelas de tecido sintético, mais finas, curtas e presas por argolas para facilitar a remoção e a lavagem a cada 15 dias;
· Substituir a vassoura por pano úmido na limpeza diária, afastando as pessoas alérgicas;
· Aplicar produtos antimofo e acaricidas em carpetes, frestas e cantos dos móveis;
· Não usar inseticidas em spray nem espiral;
· Jamais fumar dentro de casa, perto de crianças ou mesmo de adultos alérgicos.
Fonte: Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia – Regional Minas Gerais