Clínica de Alergia e Pneumologia

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O DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL ENTRE ASMA E DPOC E O TRATAMENTO:

O mais importante de tudo é a sua anamnese ou história clínica. 
 
Coleta-se aqui seus sintomas, seus antecedentes de doenças, seus antecedentes familiares, as influências do meio a que você está submetido ,o uso de medicamentos, sua dieta, seu modo de vida e as influências do ambiente de trabalho. 
A seguir o médico realiza um exame físico na procura de sinais objetivos e das características do problema, faz ausculta do seu pulmão, verifica detalhes de mucosa em cavidades, procura alterações da normalidade dos tecidos, mede pressão, pulso, temperatura, etc.
Feita a hipótese diagnóstica da patologia o médico parte para a realização de exames complementares para a comprovação ou não da hipótese e tentar chegar a causa do problema. Dentre estes exames cabe ressaltar:
 
1. TESTES ALÉRGICOS POR INTRADERMO REAÇÃO OU POR PUNTURA 
 
Como a maioria das asmas são de natureza alérgica cabe realizar os testes alérgicos.Estes testes constam de se aplicar na pele substâncias suspeitas de causar o problema.São praticamente indolores e apresentam uma reação de vermelhidão e edema em 15 a 20 minutos e que desaparecem após 1 ou 2 horas sem deixar marcas .Têm grande valor quando se trata de antígenos ou substâncias que penetram no organismo por via inalatória e menor quando se trata de alimentos, drogas, bactérias ou vírus. (PRINCIPAIS CAUSADORES DAS ALERGIAS). 
 
2. PATCH TESTES ALÉRGICOS OU TESTES DE CONTATO 
São testes de se aplicar as substâncias na pele e se deixar por 48 horas mantidas no local por artefato próprio. Retira-se após este período e se verifica a reação que também é de vermelhidão, edema e às vezes uma espécie de queimadura local. Por outras vezes, é necessário pedir ao indivíduo que se submeta a exposição de raios solares por cerca de 30 minutos,para que ocorra a reação nas próximas 24 horas e então se faz outra leitura. São testes muito eficientes e que revelam principalmente as alergias aos cosméticos,substâncias de contato,dermatites profissionais. São de pouca valia em Asma e DPOC.
3. RAST, MAST, ELIZA OU TESTES IN VITRO COM ANTICORPOS MONOCLONAIS 
 
Quando o médico não é especialista no assunto estes exames oferecem uma alternativa de valor igual aos testes cutâneos para diagnóstico da causa da Asma.
São testes usados por laboratórios através de material coletado no sangue periférico e utilizando técnicas de detecção dos antígenos por anticorpos monoclonais, específicos para cada substância pesquisada ou por múltiplos grupos de substâncias.Têm a desvantagem de se ter que retirar sangue e não são imediatos como os testes cutâneos que são paralelos ao exame do paciente.São geralmente reservados para os casos de peles de difícil uso ou para crianças muito pequenas em que os testes cutâneos dão pouca reação ou são complicados de se executar. Estes testes embora tenham boa especificidade,não levam qualquer vantagem em relação aos testes cutâneos em relação a sensibilidade e são muito caros. 
 
4. TESTES DE PROVOCAÇÃO 
 
Estes testes são usados para esclarecer diagnóstico duvidoso de Asma.
Nestes testes são usadas as substâncias suspeitas e que vão desencadear exatamente a reação que se pesquisa. Existem os de provocação inespecífica em que se usam agentes capazes de desencadear a reação com determinadas doses e que medem a sensibilidade do indivíduo e os específicos a exatamente ao que se suspeita ser a pessoa alérgica. Os testes de provocação oral são usados quando se trata de alergia alimentar e os testes de provocação nasal ou de broncoprovocação quando se trata de alergia respiratória. Consistem de se mandar ingerir ou inalar o antígeno suspeito e aguardar a manifestação. 
Estes testes têm um certo risco de desencadear reações intensas e portanto reservados a profissionais habilitados a controlar estas respostas.
 
5. EXAMES DE FUNÇÃO RESPIRATÓRIA 
Estes exames estão hoje em dia computadorizados e consistem de orientar a pessoa fazer algumas manobras respiratórias em aparelhos capazes de analisar a função normal ou alterada e transmitir ao computador que vai analisar os dados e dar resultados. Aqui o médico consegue analisar o grau do distúrbio e distinguir se é do tipo constritivo ou restritivo. O primeiro é compatível principalmente com asma brônquica e o segundo com bronquites, enfisema pulmonar ou DPOC. Consegue ainda analisar se o distúrbio responde bem a eventual medicação e pode ainda fazer suposições futuras de evolução da patologia. Estes exames são muito usados para se estudar asma brônquica e DPOC e mesmo dar o diagnóstico correto.
 
                             TRATAMENTO
 
BRONCODILATADORES 
São usados na Asma Brônquica e na DPOC. Existem em várias formas de uso mas dá-se preferência hoje aos com apresentação em spray pressurizado(bombinhas de aerosol), porque têm menos efeitos colaterais e o efeito é imediato. Portanto são infundados os conceitos superados que provocam taquicardia, aumento da pressão e paradas cardíacas por arritmias o que na verdade ocorre principalmente com os via oral e são devidos a abuso ou excesso de uso. (LINK COM ASMA BRÔNQUICA) Estes medicamentos são usados como sintomáticos e na medida da necessidade (SOS),sendo que espaçadores facilitam o uso. São, no entanto, puramente sintomáticos não atuando na causa do problema. Não devem ser usados de modo continuo em Asma.
Existem os broncodilatadores de ação prolongada (12 ou 24 horas ) e que em  DPOC são o tratamento de primeira linha nas formas moderadas e para uso continuo. 
 
CORTICOSTEROIDES 
São usados nas reações alérgicas intensas,na asma brônquica,na DPOC, nas inflamações. São medicamentos muito potentes e podem ser usados nas vias oral, injetável ou por spray pressurizado.A via fica na dependência da intensidade e no local do problema .A via oral e a injetável são mais usadas para ataque imediato as reações alérgicas, a inflamação ou uma exacerbação aguda e por um tempo curto, não ultrapassando geralmente a 14 dias, quando passam a ter maiores chances de efeitos colaterais. A via inalatória por spray pressurizado ou por cápsulas de pó inalável, é a mais usada para o tratamento da asma brônquica e geralmente por períodos prolongados por levar a muito menores efeitos colaterais. Existe um tendência moderna de se encarar a asma como uma doença inflamatória crônica associada aos fenômenos alérgicos e daí se preconizar o uso precoce dos corticoides inalados nesta patologia. Os corticoides inaláveis são também usados em DPOC nas formas mais avançadas ( moderada e graves) .
Deve-se evitar ao máximo o uso de corticoides de depósito pela frequente possibilidade de levar aos efeitos colaterais e que são indesejáveis. 
 
ANTIBIÓTICOS E ANTIINFLAMATÓRIOS 
Os antibióticos são usados para se combater infecções que podem aparecer e complicar os problemas existentes. São muito importantes nas fases agudas que complicam o enfisema,a bronquite ou a asma. As sinusites crônicas que podem perpetuar as patologias respiratórias devem ser tratadas por antibióticos apropriados e por tempo prolongado, nunca inferior a 3 ou 4 semanas. Nas pneumonias agudas são da maior valia e nunca devem ser usados por tempo muito curto (3 dias) pela possibilidade de não resolver a infecção e criar cepas resistentes. Os anti inflamatórios inalados em asma são o Cromolin e o Nedocromil. Não atuam na fase aguda mas são bastante eficientes na fase crônica e diminuem o uso dos broncodilatadores e dos corticoides, além de serem bastante seguros e quase sem efeitos colaterais. Podem ser combinados com broncodilatadores. Estão cada vez mais em desuso no Brasil.
 
IMUNOTERAPIA 
As vacinas devem ser usadas como parte da estratégia global de tratamento da asma e que inclua os medicamentos e o controle ambiental e nunca isoladamente como tratamento único. Podem ser indicadas por via injetável subcutânea ou por via sublingual. Deve ser sempre indicada com base nos alérgenos detectados pelos testes cutâneos ou pelos exames de sangue específicos, sabendo-se também que são assim bastante eficazes mas se usadas por tempo prolongado. Modernamente se entende o seu efeito por estimular uma população de células linfocíticas denominadas TH1 e diminuir as TH2, conhecidas como responsáveis pelas reações alérgicas, maiores causadoras da asma. Por estes conhecimentos modernos tem-se preconizado o uso precoce de imunoterapia nos 2 primeiros anos de vida quando seria possível dirigir estas populações para o rumo desejado antes que a criança se tornasse definitivamente alérgica.
Está havendo hoje também uma tendência de se indicar vacinas antiinfluenza (causadores de gripes) e antipneumocócicas (causadores de pneumonias) em pessoas mais velhas ou debilitadas, portadoras de Asma ou DPOC.
REFERÊNCIAS:
1. Barnes PJ. Chronic obstructive pulmonary disease. N Engl J Med. 2000;343:269-80
2. IV  Diretrizes Brasileiras para o Manejo da Asma-2006- Rev Bras Alerg Imunopatol 29:222-245
3. Guidelines for the Diagnosis and Management of Asthma – NAEPP Expert Panel Report 3;  2007
4. Diagnosis and treatment of asthma in childhood: A PRACTALL consensus report- Allergy 2008 63:5-49
5. Barnes PJ, Pedersen S, Busse WW. Efficacy and safety of inhaled corticosteroid therapy: a systematic review and meta-analysis. Arch Intern Med 1999;159:941.
6. Glolobal Strategy for Asthma Management and Prevention-Updated 2011. www.ginasthma.org
7. Global Strategy for the Diagnosis, Management, and Prevention of Chronic Obstrcutive Pulmonary Disease. National Heart, Lung and Blood Institutes. Updated 2011. www.goldcopd.com
8. Tratado de Alergia e Imunologia Clínica 2012. Livraria Atheneu. Editores: Solé D, Bernd LAG, e Rosario Filho N.

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